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PINOT NOIR

Conhece a uva Pinot Noir? Tradicionalmente, é a uva que faz os maravilhosos vinhos da Borgonha. Mas, você quer saber um pouco mais sobre essa deliciosa casta?

Normalmente, a primeira coisa que vem à nossa cabeça quando pensamos em Pinot Noir é a França.

E isso não nos surpreende, já que o país conta com 1/4 dos 100 mil hectares de vinhedos plantados com a casta.

Por outro lado, quando lembramos dos icônicos vinhos da Borgonha, como Romanée Conti e outros da Côte d’Or, é importante saber que lá estão apenas 6.500 hectares de vinhedos de Pinot Noir.

Sabe qual é o segundo país no mundo a produzir Pinot Noir? Não, não é a Nova Zelândia.

São os Estados Unidos! Seguidos pela...Alemanha!

Alemanha é o terceiro produtor mundial de Pinot Noir. Lá, a uva tem muitos nomes diferentes e, por vezes, complicados – sendo, Spätburgunder, mais conhecido entre eles.

Caraterísticas da Pinot Noir

Exigências do Terroir

Climas frios a moderadamente quentes, como a Borgonha, no nordeste da França, a região de Oregon nos EUA e a parte sul e sudoeste da Alemanha.

Em climas quentes perde o requinte e produz aromas de compotas. Se for muito frio, o enólogo vai encontrar aromas verdes de endro, tomate, menta e pimenta – pouco desejáveis.

A Pinot Noir gosta de solos calcários com boa ventilação e drenagem. É por isso que produz resultados tão bons na Borgonha, acima de tudo, nos locais que são caracterizados por calcários permeáveis à água.

Condições semelhantes são encontradas em boa parte do sul da Alemanha, como na região de Württemberg.

A casta é sensível e facilmente pega doenças ou fungos, devido à sua casca fina. Assim, fungos, bactérias e podridão podem atacar as vinhas quando o tempo estiver muito úmido.

A geada da primavera também pode representar um risco já que as plantas brotam cedo. É paradoxal: embora o clima úmido e frio possa ser desfavorável, a Pinot Noir não cresce em climas quentes e secos.

Para ter boa qualidade, é preciso limitar o rendimento. Acima de 50 hectolitros por hectare, a qualidade cai rapidamente. Por isso, a “poda verde” (corte das primeiras uvas verdes limitando o rendimento) é uma prática comum entre produtores de Pinot Noir de qualidade.

Além disso é necessária uma boa seleção de uvas na colheita, já que bagos verdes, muito maduros ou até mesmo ruins, são fáceis de serem identificados no vinho.

Os aromas

Os aromas são finos, claros e incrivelmente numerosos!

Os bons vinhos da casta apresentam, sobretudo, frutas vermelhas. Os mais jovens, destacam-se pela framboesa e pelo morango, e, quando mais evoluídos, aparecem as cerejas e ameixas.

Notas de especiarias doces, ervas, trufas, couro e cogumelos podem ser encontradas também. Às vezes bons Pinot Noir também apresentam notas florais, como violeta.

O Corpo

Uma caraterística da Pinot Noir é que ela reage fortemente ao seu terroir. Assim existem muitos estilos diferentes.

Cor normalmente rubi tipo cereja, transparente. Com corpo médio, bom equilíbrio, doçura sutil e acidez viva. Os melhores exemplares da casta são poderosos e, ao mesmo tempo, tem textura quase sedosa.

Outra peculiaridade da Pinot Noir diz respeito aos taninos: embora melhorem com a longa maturação, já são um prazer na juventude, o que também é especial no mundo dos vinhos. Basta pensar nos grandes vinhos de Bordeaux ou Nebbiolo do Piemonte: quase todos são ásperos na boca na juventude devido aos seus taninos e só podem ser apreciados após um longo estágio em garrafa.

Pensando na harmonização de um Pinot Noir com uma refeição, recomendamos pratos com cogumelos escuros assados, risoto com trufa, aves ou carne de caça. Seus aromas terrosos combinam bem com os componentes terrosos dos cogumelos, da trufa e da carne da caça.

Uso de madeira

A Pinot Noir é bem exigente na produção também. Controle de temperatura durante a fermentação é importante para obter aromas complexos e uma boa estrutura.

O viticultor que pretende um vinho frutado seleciona tanques de inox para fermentação e amadurecimento.

Vinhos de qualidade superior podem passar por madeira. Aromas leves torrados de barrica francesa aumentam a complexidade.

Os Pinot Noir de Gevrey-Chambertin, do nosso produtor Jean-Michel Guillon, passam por barris novos. O viticultor escolhe, junto com o tonnelier, que vai produzir os barris, as árvores de carvalho que serão usadas, e assim dá as instruções sobre a tostagem dos barris quando consegue ter uma boa previsão do resultado da safra.


O nosso produtor Fürst Hohenlohe-Oehringen usa barris de carvalho francês de 500 litros para amadurecimento do Pinot Noir Grand Cru (GG ou Grosses Gewächs). O Spätburgunder do nível Gutswein não passa por madeira. A vinícola Graf Neipperg usa grandes toneis de madeira, que permitem microoxidação mas não transferem muitos aromas típicos de madeira.

O uso da madeira torna o vinho mais redondo porque a micro oxidação dentro da barrica ajuda a integrar melhor os taninos.

Vinhos excelentes, como os da Borgonha (Village ou acima) ou os GG da Alemanha dão a sensação que “deslizam como seda” na boca.

Os taninos dentro da madeira melhoram a estrutura e potencial de envelhecimento do vinho.

Pinot Noir de classe mundial na Borgonha e na Alemanha

A Borgonha é uma das regiões vitivinícolas mais famosa, mas também a mais complicada da França. Tem o terroir – composto de solo, microclima, macroclima e interferência humana.

Mesmo se os primeiros três fatores são iguais, o quarto fator – o produtor – pode fazer uma grande diferença.

Por isso é tão importante conhecer o produtor e verificar a qualidade. Os mais famosos Borgonhas são os Pinot Noir da Côte d'Or - uma faixa de 50 quilômetros ao sul da cidade de Dijon.

Nessa pequena região, a nobre variedade de uva ocupa até 95% da área cultivada e produz alguns dos vinhos tintos mais renomados e preciosos do mundo.

Como os solos são caracterizados por calcário permeável à água, a casta Pinot Noir tem os melhores resultados. Em particular, uma parte ao norte da Côte d'Or - a Côte de Nuits - tem status de culto entre os conhecedores. Como o Domaine de la Romanée-Conti com seu vinho Romanée-Conti de altíssima qualidade.

De todo modo, felizmente temos alguns outros produtores, por exemplo Jean-Michel Guillon & Fils em Gevrey-Chambertin, que produz Pinot Noirs maravilhosos que ainda não quebram o bolso.

Pinot Noir na Alemanha

Na Alemanha a variedade da uva é mais conhecida como Spätburgunder.

Vinhos de alta qualidade de Pinot Noir já eram produzidos no século XVI.

Hoje tem uma alta qualidade que está no mesmo nível do Pinot Noir francês! A revista ADEGA comparou o Pinot Noir Gutswein do Fürst Hohenlohe dizendo que é melhor do que alguns da Borgonha que tem custo mais alto.

Alemanha é o terceiro produtor no mundo, com cerca de 12.000 hectares de área de cultivo.

O Instituto Alemão de Vinho (Deutsches Weininstitut) organizou um concurso internacional com vários críticos famosos, provando os melhores Pinot Noirs (de uma pré-seleção de 400 rótulos) do mundo. Entre os melhores dez rótulos, três foram da Alemanha.

Os melhores Pinot Noirs da Alemanha, em nossa opinião, vem das regiões de Baden e de Württemberg. Tem também a região do Vale do Ahr bem mais ao norte do Vale do Reno (Rheingau), do Palatinado e de Francônia (Franken). A subregião de Kaiserstuhl e Breisgau em Baden e várias sub-regiões de Württemberg tem climas relativamente quentes que são ideais. Os Pinot Noirs são aveludados mas potentes, que podem ser envelhecidos em barricas sem problemas.


Como a VINDAME não tem vinhos dos EUA, Nova Zelândia ou Australia, não estamos abordando essas regiões. Chile poderia ser mencionado, porque no Norte do Chile são produzidos Pinot Noirs respeitáveis, como escreveu a revista Decanter há alguns anos: o Chile está num bom caminho com os seus Pinot Noirs.

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